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07/01/2009

Sem fotografia...

... mas com muita pena.

Trabalho no mesmo local há muitos anos. Muitos mesmo. Aliás faz precisamente este ano metade da minha vida que aqui trabalho.
Desde que aqui trabalho que os meus olhos são diariamente surpreendidos por uma criatura que existe nas redondezas. Acho que deve trabalhar aqui por estes lados.
Cruzamo-nos quase diariamente no restaurante aqui em baixo. A nossa cantina.
Isto há anos.
Ela almoça todos os dias com um senhor que penso ser seu qualquer coisa... colega, marido, amante. Qualquer coisa.
Quase todos os dias nos cruzamos. E todos os dias o meu olhar se lhe pespega. Não o consigo desviar. Não consigo deixar de ficar surpreendida.
As perguntas assaltam-me de imediato: Como é que alguém consegue sair à rua naquela figura? Porquê? Porquê passar no minimo 3 horas em frente de um espelho para aquele resultado absolutamente assustador e arrepiante. Mas cuidado até ao mais infimo pormenor. E principalmente: como é que alguém consegue partilhar a mesma mesa, quanto mais outra coisa qualquer, com aquele ser estranho.
Tenho inúmeras vezes a tentação de sacar do telemóvel e tirar-lhe uma fotografia, para poder partilhar as minhas inquietações com quem nunca viu este ser... mas o meu pudor não me permite tal coisa.
Como tal, vou tentar explicar, sabendo de antemão que qualquer explicação ficará completamente aquém de tal visão.
A senhora podia ser uma pessoa completamente normal. De estatura mediana. Suponho que tenha cabelo e olhos castanhos. Mas a realidade é esta:
Começando pelo cimo:
- Cabelo amarelo (não é louro, é amarelo) e crispado por anos e anos de permanentes daquelas que fazem caracóis muito pequeninos. O cabelo faz a forma de uma bola com base rasa e deve ter pelo menos duas latas de laca inteiras por dia em cima (acreditem que eu sei do que falo) tal é o grau de armação que tem. Não mexe um centimetro. E é bastante volumoso para cima e para os lados.
- Olhos com lentes de contacto azuis. Pestanas postiças com rimel muito preto. As pestanas ultrapassam as singelas sobrancelhas também elas pintadas num risco fino e preto.
- Os brincos são sempre dourados, muito grandes e muito trabalhados.
- Os lábios quase inexistentes estão sempre pintados de vermelho forte.
- A roupa: Sempre preta. Sempre esvoaçante. Sempre com transparências. Faça calor ou faça frio. O habitual é uma mini saia, daquelas mesmo minis. Um top com um grande decote (sendo que a senhora não tem mamas). E por cima uma túnica esvoaçante, transparente até aos pés.
- As unhas são assustadoras. Tal é o tamanho das garras. E a decoração das mesmas.
- Os sapatos são sempre de salto muito alto e muito fino. Ou então botas inenarráveis.

Eu sei que assim não impressiona o suficiente. Mas acreditem que almoçar perto desta senhora é para mim um martírio. É que não consigo tirar os olhos dela. E a comer peixe isso é um perigo.
Só visto!