11/01/2008

Planos para o fim-de-semana...


ai...hoje não me apetece fazer um caracol!



a frase inicial era:"hoje não me apetece fazer nestum!"
mas como não encontrei nenhum prato de nestum digno do nosso blog, troquei pelo caracol que, por sinal é bem jeitoso!:)

bom fim de semana!

Gata

Arrastou-se para fora da cama. O que vale é que a semana estava a chegar ao fim. As manhãs têm sido dificeis ultimamente. Deve ser por causa do tempo. Tratou de tudo e saiu de casa. Esperava que o mundo não a desafiasse, porque hoje não se sentia forte. Mas havia de sobreviver.
Caminhou de cabeça erguida, mas não fitou ninguém, escondida por trás dos óculos escuros. Bem podia ir de olhos fechados - era igual (mas substancialmente mais perigoso). Hoje as pessoas com mau aspecto, ainda tinham aspecto pior. Devia ser do tempo.
Como um gato que não gosta de ser pegado ao colo sem que lhe apeteça, mas que tem muito aprumo no pelo, não havia de ser por causa de uns quantos rafeiros vadios que se desviaria do seu caminho (embora às vezes a tentação fosse grande).
Fechou a porta do gabinete e entregou-se ao trabalho sem paixão. Não era costume. Se havia coisa porque nunca tinha perdido a paixão era pelo trabalho. Mas hoje não. Devia ser por causa do tempo. O gato ronronava em fundo. Era o dia ideal para marradinhas. À tarde a preguiça é mais difícil de controlar.
Já era de noite quando saiu. Exausta. Encolheu-se no sofá e ficou assim. Hoje não tinha posto as garras de fora. Só lhe apetecia enroscar-se e adormecer. O tempo acaba por passar. E o gato veio aninhar-se aos seus pés.

Deixa morrer

Eu vi que eu sou capaz
Eu posso até sentir
Isso vai fazer-nos tão bem
Não nos deixei mentir
E agora tanto faz
Vou dar o mundo a quem

E aparece assim
Acendeu-se a luz
Estão vivos outra vez

Amar é bom se houver
No fundo de um de nós
Alguma solidão
Eu calo a minha voz
É tão bom ser mulher
Descobrir quais são

E aparece assim
Acendeu-se a luz
Estão vivos outra vez
Se é tão bom de ouvir
Vivo para ti
Até o nosso amor morrer

Se eu não for capaz
Eu espero vê-lo em ti
Eis como me ajudar
Sentir é não mostrar
E dar não é sentir
É morrer em paz

E aparece assim
Acendeu-se a luz
Estão vivos outra vez
Se é tão bom de ouvir
Vivo para ti
Até o nosso amor morrer

Mas deixa o nosso amor morrer

Manel Cruz / Peixe
O Monstro Precisa de Amigos


Depois de tanta conversa sobre o Manel Cruz... tive vontade... pena não conseguir pôr a música... a net está contra mim!!

10/01/2008

Olhos nos olhos

Joana - Sou casada. Espero que não ache que estou fora de moda.
Jorge - Ora essa. Tenho o maior respeito por um casamento feliz. Foi por isso que me divorciei.
Joana – Casamento feliz é uma expressão forte, tem um peso enorme. O que entende por casamento feliz?
Jorge - Desculpe, que idade tem?
Joana – ... Um cavalheiro, está visto...
Jorge – Por favor, não me diga que ainda espera dos homens atenções machistas... que não abordem a sua idade, que lhe abram a porta do carro e que lhe puxem a cadeira nos restaurantes?
Joana – Não está a confundir machismo com boa educação?
Jorge – Acho que não, mas também sei funcionar nesse registo. Seja qual for a sua idade, parece mais nova.
Joana – Obrigada. Tenho quarenta.
Jorge – Eu não dizia? Qual é o segredo? Ginásio, alimentação saudável ou consciência tranquila?
Joana – Acha possível chegar aos quarenta com a consciência tranquila?
Jorge – Possível talvez, uma seca com certeza! Mas não quero fugir à pergunta. Para mim um casamento feliz é não permitir que a rotina do dia-a-dia se instale.
Joana – Pfff... não admira que se tenha divorciado. Um casamento desses pura e simplesmente não existe!
Jorge – Então diga-me o que é para si um casamento feliz?
Joana – Feri o seu orgulho machista? Desculpe, não o fiz de propósito. Podemos substituir o feliz? Prefiro falar em casamento estável.
Jorge – Estável? Parece que estamos a falar de uma empresa.
Joana – Quase. Não é uma empresa, é um contrato.
Jorge – Bolas, isso parece um casamento pré-revolução industrial.
Joana – Não. É a descrição de um casamento depois de a paixão morrer. Ou acha que ela resiste aos anos?
Jorge – Não... mas pensei que se transformava noutros sentimentos. Não em duas assinaturas reconhecidas pelo notário.
Joana – Não exagere o meu exagero. Claro que existem laços e fortes. Mas chamar a isso felicidade... Vive-se a nostalgia do que se passou, é deprimente e claustrofóbico.
Jorge –Você consegue?
Joana – Eu? Nem morta!
Jorge – Então desisto! Faça-me um desenho. Não percebo nada!
Joana – E porque não? Nunca mais o vejo. Vou promovê-lo a desconhecido íntimo e contar-lhe. Mas atenção! Isto não lhe dá qualquer direito: ouve, cala-se e vai-se embora. É pegar ou largar.

Olhos nos olhos
JMV
(pequena adaptação)

Prometi...cumpri!


E algures no meio estamos nós :)

Cashmere Mafia Lipstick Jungle

E vão dez dias...

O tabaco e o sexo estão intimamente ligados (estranha associação de palavras). É clássico acender o cigarro após o coito. Agora com a proibição como vai ser? Imaginemos que o sexo passa a ser como o tabaco: proibido nos edifícios públicos, restaurantes com menos de x metros quadrados ou que não possuam espaços com extractores de fumo (ou de feromonas), nas escolas, locais de trabalho, tribunais, hospitais, aeroportos, etc...? Como é que vai ser? Fica tudo doido.
Parece que estou a imaginar:
- Ó Neide Margarete, sente-se aqui no meu colo que quero ensinar-lhe a fazer um balancete.
- Dr. Vasconcelos, não pode ser. Então não sabe que é proibido? Se quiser que eu me sente aí, temos que ir lá para fora, onde é permitido fornicar.
Razão têm os proprietários das discotecas que estão contra esta medida. Se isto se alarga ao sexo, o que será dos estabelecimentos nocturnos? E como ficarão as ruas do nosso país com pessoas a fazer o amor à porta dos seus empregos, simplesmente porque é proibido copular nos gabinetes? E os que apenas têm o vício do sexo social, que gostam depois do seu jantarinho, puxar, digamos do pénis e introduzi-lo na vagina de uma amiga (ou vice-versa, embora seja um bocado difícil introduzir uma vagina dentro de um pénis, mas não nos vamos perder com isso)? Terá que ficar reservado apenas para os nossos lares, contribuindo para que esta sociedade onde cada vez mais pessoas sofrem com a solidão, se torne ainda mais solitária?
E os apelos do nosso Presidente? Que quer que Portugal produza mais bébés? Como, Dr. Aníbal, se o governo não nos deixa fumar? A culpa é do governo!

Hoje apetece-me tanto trabalhar como...

  • levar um pontapé na cabeça, desferido por uma bota Doc Martens, número 42;
  • partilhar um reparador sono com 742 salamandras venenosas alojadas no meu leito;
  • fazer uma viagem inter-cidades para Cinfães do Douro na companhia de alguém que não usa desodorizante desde a Guerra do Ultramar;
  • fazer madeixas louro-platinado na cabeleireinha Fatinha na Reboleira...

E podia continuar até ao infinito, porque hoje NÃO ME APETECE TRABALHAR!

odeio saldos!

se já vi aquilo tudo e não quis comprar,
porque raio é que hei-de querer agora??...

p.s.-bom dia:)

Sexo no novo milénio

Definitivamente hoje não estou inspirada. Mas não queria deixar de partilhar um fait-divers.
A lógica feminina e as fantasias. Assuntos tão interessantes e dados a opiniões, portanto, desde logo se percebeu que é algo que vale a pena falar. Nos anos 90, assistimos a uma autêntica revolução sexual, quando, através de uma simples série de TV, deixámos que toda a gente espreitasse para dentro do Universo das Mulheres. Se alguma vez se perguntou do que falavam as Mulheres quando iam juntas à casa-de-banho, a resposta, encontrava naqueles 25 minutos de conversas honestas, desbragadas por vezes, mas como todas as Mulheres sabem, de importância superior. E falava-se de tudo: do sexo oral, à nova tendência da moda, passando pelo cancro, corações despedaçados e por aí fora. Mas os anos 90 acabaram e a sociedade mudou. Portanto, a TV também tinha que mudar.
Os Estados Unidos podem estar atrasados em muita coisa, mas no entretenimento não têm rival. E enquanto a nossa televisão continua a insistir e folhetins com enredos que têm o grau de interesse do livro de instruções de um micro-ondas (talvez menos até), as grandes cadeias americanas regressam ao Maravilhoso Mundo das Mulheres com duas séries que prometem fazer justiça ao legado do «Sexo e a Cidade».
Tentarei arranjar fotos, mas hoje não, porque a tecnologia resolveu boicotar os meus posts.
«Cashmere Mafia» e «Lipstick Jungle». As duas séries passam-se em Nova Iorque. Na primeira temos 4 Mulheres de carreira, na segunda são apenas três - mas também dedicadas à profissão. Na «Mafia» entra a Lucy Liu, na «Jungle» a Brooke Shields. Consta que um dos canais nacionais já comprou a «Lipstick Jungle» (baseada no livro «Saltos Altos» da Candace Bushnell, autora do «Sexo e a Cidade»), mas como é habitual, deve transmitir os episódios lá para as 5 da manhã, porque é a essa hora que convém discutir coisas tão insignificantes como orgasmos múltiplos ou ejaculações precoces. Bom, a coisa vai longa e pouco interessante, mas para acabar, só queria dizer que gostaria muito de ver uma série deste género feita cá, com problemas e Mulheres portuguesas. Já me disseram que o mercado não estava para aí virado. Resta-nos a blogosfera :)